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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Homem comprometido....."não rola"

Prá mim, “homem comprometido é como gay.....não rola” (nada contra os gays, é óbvio, mas a comparação é pertinente). Muitos insistirão “não digas que dessa água não beberás”, mas eu me garanto, não por preconceitos ou por falsa moral, não é isso, não se trata disso, mas é porque homem comprometido me é “anti-tesão” – explico melhor – na verdade, o que me estimula numa relação é saber que sou exclusiva, que sou alguém especial para um “certo alguém” também especial e exclusivo prá mim.

Meu entusiasmo por alguém depende de eu me sentir “o objeto de desejo” do outro, e prá isso (e por isso) não dá prá dividir com ninguém, minha auto-estima e meu amor-próprio me impulsionam para a soberania, tenho que me sentir única, exclusiva, senão..... não rola, meu entusiasmo vai a zero se eu descobrir que fui preterida, minha libido desaparece, fico "assexuada" só de imaginar que deixei de ser, mesmo que por instantes, o centro da atenção do outro (e ninguém consegue esconder uma traição por muito tempo, só não enxerga quem não quer) para mim, qualquer desatenção, "faça não, pode ser a gota d'água".

Tenho a mesma dificuldade que, em geral, impede um homem de perdoar traição da parceira, acho humilhante tanto para o homem quanto para a mulher. A sociedade aceita que a mulher perdoe a traição masculina como se fosse natural, biológica (bem conveniente para os homens), mas dificilmente aceita o contrário, que o homem perdoe a mulher traidora – ele logo é rotulado de “corno manso” e estigmatizado pela sociedade.

A mulher, ao contrário, aceita o traidor de volta ao lar como um "prêmio de consolação", afinal ela “venceu” a rival (Será? Ou é melhor fechar os olhos e não enxergar?). A mulher ainda é muito submissa e subjugada ao homem. Em geral, a mulher "perdoa" o traidor, mas a humilhação interior, a “navalha na carne” do seu íntimo, no seu amor-próprio é a mesma para ambos os sexos, porque zera a auto-estima, a autoconfiança, faz o traído se sentir menosprezado, menos amado, menos merecedor.

Tive uma amiga (é bem verdade que "ex-amiga", pois a mesma não gostava de ouvir verdades) que não contratou uma empregada doméstica, porque a mesma era "mais bonita que ela", e ela ainda disse isso para a fulana, alegando que não poderia deixá-la perto do marido - custei a acreditar que ela tenha se humilhado a esse nível, e ela virou ex-amiga porque eu retruquei, rindo (na verdade, não me contive e gargalhei), dizendo que eu não hesitaria em contratar a empregada, e com certeza eu despacharia o marido se ele se "engraçasse" pela fulana, porque, prá mim, homem que trai e ainda com um QI baixo está nesse mesmo nível intelectual, portanto fora do meu alto padrão de qualidade.

Ao contrário do que vêm "pregando" muitas mulheres "traição com traição se paga" eu não concordo em "pagar na mesma moeda". Ao contrário,  meu lema "anarquista" sempre foi "não faça com os outros, o que não deseje para si próprio", assim mimha esperança é que, um dia, todas as mulheres traídas e humilhadas, não mais aceitarão de volta o traidor, e só assim seremos respeitadas, não como mulheres, mas como seres humanos que somos, em igualdade e dignidade, pois a dor da traição é a mesma, independente de raça, sexo ou cor. 

Mas, enquanto isso não acontece, a ciência nos serve de consolo (vide o texto "Infidelidade masculina e QI baixo") pois confirma o que eu sempre prezei num relacionamento, jamais aceitar traição, pois prá mim, a relação nunca mais será a mesma, a confiança fica eternamente abalada, e aceitar um traidor de volta, além de humilhante, significa ganhar de brinde um "neanderthal" que continuará fatalmente "pulando a cerca". Como já disse e repito, homem cafajeste, predador e traidor, prá mim, pertence ao período mais arcaico e inferior da escala evolutiva da espécie humana, portanto não serve nem prá limpar o cocô do meu cachorro (que eu nem tenho).

Não adianta, são gerações atrás de gerações, revoluções sexuais, “queima de soutiens” e continuamos a procura do “romance ideal”. O filme do Woody Allen, o alegre e aparentemente descompromissado “Vicky Cristina Barcelona” (veja trailer no final do texto) é o exemplo fiel disso. A personagem Cristina (papel de Scarlett Johansson), "teoricamente" livre para experimentações sexuais e relacionamentos "abertos", inicialmente se deixa levar e aceita participar de um triângulo amoroso (com o libertário e sedutor Javier Bardem e a ciumenta e tempestiva Penélope Cruz), mas percebe que, apesar de sua natureza inconstante, acaba voltando para o individualismo, representado pela “busca” solitária por um romance ideal e exclusivo. No fundo, ninguém quer ser a "2ª opção" ou "vice" num relacionamento.

Em “Vicky Cristina Barcelona”, Woody Allen, mesmo despretensioso, continua (como nós) intrigado com relacionamentos, já na abertura com a letra da música “Barcelona” que diz: “Por que tanto perder-se/Tanto buscar-se/Sem encontrar-se?.... Não encontro a razão, porque me dói o coração?",  tentando compreender porque insistimos nesses “irracionais, malucos e absurdos relacionamentos”,

como ele mesmo diz na cena final de “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (leia sobre esse filme, aqui no blog, no texto “Coisas que valem a pena viver” em fev/2010) em que ele lembra uma piada antiga – um homem diz a um psiquiatra: "Doutor, meu irmão é maluco, ele pensa que é uma galinha". O médico diz: "Então, porque você não o interna?". Ao que o homem responde: "Bem, eu o internaria, mas acontece que preciso dos ovos".

E Woody Allen conclui com a brilhante reflexão: "Assim é como me sinto sobre relacionamentos, eles são completamente irracionais, malucos, absurdos, mas continuamos insistindo porque a maioria de nós precisa dos ovos".

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